Em 2017 o mundo cristão
celebrará os 500 anos da Reforma Protestante, liderada por Martin Luther, na
Alemanha – e perseguida por mártires cristãos através dos séculos anteriores. A
preparação a essa celebração deve ser feita com muita reverencia a Deus,
fidelidade as Escrituras e zelo apostólico pela prática da verdade.
Infelizmente grande número de religiosos vem sendo enganados por velhas
heresias com roupagem nova, como se Deus fosse um negociante de bênçãos. As
novas indulgencias, contra as quais Lutero arriscou a própria vida, estão sendo
pregadas através de canais de TV, grandes catedrais neo-pentecostais e por
ordens religiosas que enriquecem à custa de superstições populares que
contrariam ensinos centrais da Palavra de Deus.
Relendo as 95 teses de
Lutero, afixadas na porta da Catedral de Wittemberg, podemos discernir a
necessidade de uma nova Reforma, no coração e mente de cada cristão, num mundo
cada vez mais secularizado e egoísta, onde tendências religiosas deixam o culto
teocêntrico para o culto antropocêntrico – voltado para a satisfação da cobiça
e dos desejos humanos, e não mais para a Glória de Deus.
1. Ao dizer: “Fazei penitência”, etc.
[Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis
fosse penitência.
2. Esta penitência não pode ser
entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação
celebrada pelo ministério dos sacerdotes).
3. No entanto, ela não se refere apenas
a uma penitência interior; sim, a
penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de
mortificação da carne.
4. Por consequência, a pena perdura
enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior),
ou seja, até a entrada do reino dos céus.
-
Jesus fala-nos sobre o preço do discipulado cristão: “Se alguém quiser
acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Pois
quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha
causa, este a salvará” (Lucas 9.23-24).
5. O papa não quer nem pode dispensar
de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar
culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou,
certamente, perdoados os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de
observar essas limitações, a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de qualquer
pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu
vigário.
8. Os cânones penitenciais são impostos
apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos
moribundos.
9. Por isso, o Espírito Santo nos
beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a
circunstância da morte e da necessidade.
10. Agem mal e sem conhecimento de
causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para
o purgatório.
11. Essa cizânia de transformar a pena
canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos
certamente dormiam.
12. Antigamente se impunham as penas
canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira
contrição.
13. Através da morte, os moribundos
pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito,
isenção das mesmas.
14. Saúde ou amor imperfeito no
moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais quanto menor
for o amor.
15. Este temor e horror por si sós já
bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório,
uma vez que estão próximos do horror do desespero.
16. Inferno, purgatório e céu parecem
diferir da mesma forma que o desespero, o semi-desespero e a segurança.
17. Parece necessário, para as almas no
purgatório, que o horror devesse diminuir à medida que o amor crescesse.
18. Parece não ter sido provado, nem
por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontrem fora
do estado de mérito ou de crescimento no amor.
19. Também parece não ter sido provado
que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não
todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza disso.
- A Bíblia nunca se refere a um lugar, após
a morte física, onde alguém possa ser
purificado de seus pecados. De preferência ela fala de uma Pessoa através da
qual podemos ser purificados: Jesus Cristo. Deus avisa que aquele que se recusa
a confiar em Cristo para se purificar de seus pecados é condenado: Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já
está julgado, porque não creu no nome do filho único de Deus (João 3:18). Só há
duas verdades: Quem crê no Filho tem a vida eterna. Quem recusa crer no Filho
não verá a vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele (João 3:36);
A pessoa eleita por Deus e que por isso crê em Jesus Cristo, está completamente
salva: Portanto, não existe mais condenação para aqueles que estão em Cristo
Jesus (Romanos 8:1). Se não há
condenação, então ficam eliminadas as chamas do Purgatório. No entanto o
próprio Jesus Cristo falou muito a respeito do inferno, que o Apocalipse
refere-se a “segunda morte” (Ap.21.8)
20. Portanto, por remissão plena de
todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que
ele mesmo impôs.
21. Erram, portanto, os pregadores de
indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas
indulgências do papa.
22. Com efeito, ele não dispensa as
almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam
ter pago nesta vida.
23. Se é que se pode dar algum perdão
de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto
é, pouquíssimos.
24. Por isso, a maior parte do povo
está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa
de absolvição da pena.
-
Lutero condena enfaticamente a venda, o herético e escandaloso comércio do perdão,
através de indulgência e sem necessidade de arrependimento por parte do
pecador. Jesus foi claro ao dizer: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA,
NINGUÉM VEM AO PAI, SENÃO POR MIM” (S. João 14.6). O perdão é dádiva de Deus,
conquistado na Cruz do Calvário. O arrependimento humano vem através da
convicção de pecado pela ação do Espírito Santo na vida do cristão. Atos 2.38:
“ Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para
perdão de seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo”. A confissão a um sacerdote tem efeito psicológico
salutar, porém o perdão vem unicamente de Deus ao penitente.
25. O mesmo poder que o papa tem sobre
o purgatório de modo geral, qualquer
bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.
26. O papa faz muito bem ao dar
remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de
intercessão.
27. Pregam doutrina mundana os que
dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do
purgatório para o céu].
-
Novas denominações, chamadas neo-pentecostais, entre outras, vêm abusando da graça de Deus,
exigindo de seus fiéis ofertas alçadas como forma de adquirir as bênçãos de
Deus. Praticam o ensino da indulgencia, não mais como forma de perdão papal,
mas como aval para a conquista de bens materiais e/ou espirituais. Essa heresia
tem que ser combatida e denunciada por pastores fiéis a santas Escritura. Erram e conduzem ao erro as ovelhas do Senhor.
A exortação de Jesus aos religiosos e seu bom conselho devem nortear a vida
cristã: “Errais não conhecendo as
Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22.29).
28. Certo é que, ao tilintar a moeda na
caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém,
depende apenas da vontade de Deus.
29. E quem é que sabe se todas as almas
no purgatório querem ser resgatadas, como na história contada a respeito de São
Severino e São Pascoal?
30. Ninguém tem certeza da veracidade
de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.
31. Tão raro como quem é penitente de
verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.
32. Serão condenados em eternidade,
juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação
através de carta de indulgência.
33. Deve-se ter muita cautela com
aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de
Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Ele.
34. Pois aquelas graças das
indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental,
determinadas por seres humanos.
35. Os que ensinam que a contrição não
é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas
incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está
verdadeiramente contrito tem remissão plena tanto da pena como da culpa, que
são suas dívidas, mesmo sem uma carta de indulgência.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo
ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons
de Deus, mesmo sem carta de indulgência.
-
“... Quando Cristo veio ao mundo, disse: “Sacrifício e oferta não quiseste, mas
um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste.
Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para
fazer a tua vontade, ó Deus”.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo
papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão
divina.
39. Até mesmo para os mais doutos
teólogos é dificílimo exaltar simultaneamente perante o povo a liberalidade de
indulgências e a verdadeira contrição.
40. A verdadeira contrição procura e
ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz
odiá-las, ou pelo menos dá ocasião para tanto.
41. Deve-se pregar com muita cautela
sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente
como preferíveis às demais boas obras do amor.
42. Deve-se ensinar aos cristãos que
não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma,
ser comparada com as obras de misericórdia.
43. Deve-se ensinar aos cristãos que,
dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se
comprassem indulgências.
44. Ocorre que através da obra de amor
cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela
não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.
-
Em sua Carta aos Efésios Paulo, inspirado, fala sobre o fundamento da salvação
em Cristo: “Porque vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem
de vocês, é dom de Deus; não por obras,
para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo
Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós
praticarmos” (Efésios 2.8-10). Portanto está claro que as boas obras são consequência
da salvação pela graça e não meio de alcançar a salvação. Mesmo entre evangélicos pentecostais há compreensão de que o cristão pode "perder a salvação"
se se desviar da verdade sem arrependimento. A Bíblia ensina sobre o fato de que Deus não salva por obras, merecimento, religião ou virtude própria", mas unicamente pela Graça manifesta e realizada integralmente na Cruz do Calvário. Jesus mesmo disse: "Todo aquele que vier a mim de maneira nenhuma lançarei fora" (João 6.37)
45. Deve-se ensinar aos cristãos que
quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si
não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
46. Deve-se ensinar aos cristãos que,
se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua
casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.
47. Deve-se ensinar aos cristãos que a
compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que,
ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (assim como tem mais necessidade)
de oração devota em seu favor do que do dinheiro que se está pronto a pagar.
49. Deve-se ensinar aos cristãos que as
indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém,
extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.
50. Deve-se ensinar aos cristãos que,
se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria
reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os
ossos de suas ovelhas.
-
A Bíblia nos ensina que somos santuário. Lemos em Atos 17.24-25: “O Deus que
fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do Céu e da Terra, e não habita em
santuários feitos por mãos humanas. Ele
não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque Ele
mesmo dá a todos, a vida, o fôlego e as demais coisas”.
51.
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a
dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências
extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender
a Basílica de S. Pedro.
52. Vã é a confiança na salvação por
meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio
papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.
53. São inimigos de Cristo e do Papa
aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a
palavra de Deus nas demais igrejas.
54. Ofende-se a palavra de Deus quando,
em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.
55. A atitude do Papa necessariamente
é: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque
de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante)
deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja, a partir dos
quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem
conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É evidente que eles, certamente,
não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão
facilmente, mas apenas os ajuntam.
58. Eles tampouco são os méritos de
Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser
humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
59. S. Lourenço disse que os pobres da
Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era
usada em sua época.
60. É sem temeridade que dizemos que as
chaves da Igreja, que foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem
estes tesouros.
61. Pois está claro que, para a
remissão das penas e dos casos especiais, o poder do papa por si só é
suficiente.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o
santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este tesouro é certamente o
mais odiado, pois faz com que os primeiros sejam os últimos.
64. Em contrapartida, o tesouro das
indulgências é certamente o mais benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.
65. Portanto, os tesouros do Evangelho
são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.
66. Os tesouros das indulgências, por
sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.
67. As indulgências apregoadas pelos
seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como
tais, na medida em que dão boa renda.
68. Entretanto, na verdade, elas são as
graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Os bispos e curas têm a obrigação
de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.
70. Têm, porém, a obrigação ainda maior
de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses
comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi
incumbidos pelo papa.
71. Seja excomungado e amaldiçoado quem
falar contra a verdade das indulgências apostólicas.
72. Seja bendito, porém, quem ficar
alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de
indulgências.
73. Assim como o papa, com razão,
fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de
indulgências,
74. muito mais deseja fulminar aqueles
que, a pretexto das indulgências, procuram fraudar a santa caridade e verdade.
75. A opinião de que as indulgências
papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse
violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.
76. Afirmamos, pelo contrário, que as
indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados venais no que
se refere à sua culpa.
77. A afirmação de que nem mesmo São
Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é
blasfêmia contra São Pedro e o Papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer
papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as
virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I
Coríntios XII.
79. É blasfêmia dizer que a cruz com as
armas do papa, insigneamente erguida, eqüivale à cruz de Cristo.
80. Terão que prestar contas os bispos,
curas e teólogos que permitem que semelhantes sermões sejam difundidos entre o
povo.
81. Essa licenciosa pregação de
indulgências faz com que não seja fácil nem para os homens doutos defender a
dignidade do papa contra calúnias ou questões, sem dúvida argutas, dos leigos.
82. Por exemplo: Por que o papa não
esvazia o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das
almas – o que seria a mais justa de todas as causas, se redime um número
infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da
basílica – que é uma causa tão insignificante?
83. Do mesmo modo: Por que se mantêm as
exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite
que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é
justo orar pelos redimidos?
84. Do mesmo modo: Que nova piedade de
Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro, permite ao ímpio e inimigo
redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas não a redime por causa da
necessidade da mesma alma piedosa e dileta por amor gratuito?
85. Do mesmo modo: Por que os cânones
penitenciais – de fato e por desuso já há muito revogados e mortos – ainda
assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda
estivessem em pleno vigor?
86. Do mesmo modo: Por que o papa, cuja
fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos, não constrói com seu
próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo
com o dinheiro dos pobres fiéis?
-
Essa advertência de Lutero contra a insaciável cobiça de Roma tem paralelo em
nosso tempo, em ordens religiosas e novas denominações que relativizaram a
verdade bíblica e impõe a seus seguidores a continua entrega de ofertas em
dinheiro, bens e trabalho voluntário – dessa forma construindo fortunas das
denominações, templos luxuosos e
fortunas pessoais de líderes das mesmas.
Pedro exortou aos líderes da igreja: “Apelo aos presbíteros que há entre
vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos
sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada:
pastoreiem o rebanho de Deus que está a seus cuidados. Olhem para ele, não por
obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância,
mas com o desejo de servir. Não hajam como dominadores dos que lhes foram
confiados, mas como exemplo para o rebanho” (1ª Pedro 5.1-3)
87. Do mesmo modo: O que é que o papa
perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à plena
remissão e participação?
88. Do mesmo modo: Que benefício maior
se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma
vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações cem vezes ao dia
a qualquer dos fiéis?
89. Já que, com as indulgências, o papa
procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas
e indulgências, outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?
90. Reprimir esses argumentos muito
perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões,
significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e fazer os cristãos
infelizes.
91. Se, portanto, as indulgências
fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas
objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92. Portanto, fora com todos esses
profetas que dizem ao povo de Cristo “Paz, paz!” sem que haja paz!
93. Que prosperem todos os profetas que
dizem ao povo de Cristo “Cruz! Cruz!” sem que haja cruz!
94. Devem-se exortar os cristãos a que
se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do
inferno.
95. E que confiem entrar no céu antes
passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.
Para
os cristãos bíblicos nenhum líder espiritual pode advogar a si como
representante de Deus na terra. Nenhum ser humano pode ser alvo da devoção
religiosa, culto ou idolatria. A Bíblia é clara, conforme os 10 Mandamentos: “Não
terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo, nenhuma imagem
de qualquer coisa no céu, na terra, nas águas debaixo da terra. Não te
prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque eu, o Senhor teu Deus,
sou Deus zeloso, que castigo os filhos pelos pecados de seus pais até a
terceira e quarta geração, mas trato com bondade até mil gerações aos que me
amam e obedecem os meus mandamentos” ( Êxodo 20.2-6)[i]
(José Julio de Azevedo)
[i] Na
Bíblia de Jerusalém – Edições Paulinas
– a tradução é: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem
esculpida de nada que se assemelhe ao que existe lá em cima, nos céus, ou
embaixo na terra, ou nas águas que estão debaixo da terra. Não te prostrarás
diante desses deuses e não os servirás, porque eu, Iahweh teu Deus, sou Deus
ciumento, que puno a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta
geração dos que me odeiam, mas que também ajo com amor até a milésima geração
para aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

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