José de Anchieta, Villegaignon e os Calvinistas
no Rio de Janeiro, no século XVI
Não se tratou de um conflito político,
de disputa territorial entre Holanda e Portugal - como ocorreu no Nordeste,
provocando vítimas dos dois lados. A saga dos protomártires1
cristãos, no Brasil, teve seu palco a milhares de quilômetros ao sul do Rio
Grande do Norte - terra dos 30 beatificados, em 5.3.2000, pelo papa João Paulo
II - e ficou conhecida, na História, como A Tragédia da Guanabara. Durante séculos houve a tentativa de canonizar santo um dos pioneiros da evangelização católica no Brasil, José de Anchieta - até hoje ele era considerado apenas um beato. Talvez com a chegada de um franciscano ao papao é que José de Anchieta fosse entronizado no panteão da devoção católica, levado á categoria de santo. Porém há uma mancha indelével na história desse sacerdote, documentada por um de seus pares, o Frei Vicente do Salvador, em sua HISTORIA DO BRASIL. Veja a história:
José de Anchieta
No dia 9 de fevereiro de 1558 três
calvinistas sofreram batismo de sangue na Ilha
de Coligny, hoje Fortaleza de
Villegaignon, na Baia de Guanabara-RJ. Ficou claramente documentado que
eles foram sacrificados por causa da irredutível defesa da fé cristã, e bíblica
- da mesma forma que reformadores como o mártir João Huss, entre outros. Testemunharam sua fé porque amaram mais a
verdade revelada nas Escrituras Sagradas do que a suas próprias vidas.
Já no litoral brasileiro, onde a
expedição chegou aos 10.11.1555, Villegaignon passou a usar os colonos como
servos, em condições cada vez mais degradantes. Depois de enfrentar uma
rebelião, da qual não houve participação de calvinistas, Villegaignon solicitou
ministros evangélicos de Genebra - capital calvinista da Suíça - que vieram
acompanhados de um grupo de huguenotes leigos, liderados por Felipe de Corguillerai - senhor Du Pont
- amigo de Coligny. Os acompanharam,
atraídos pelas falsas promessas de Villegaignon, os calvinistas leigos: Pierre Bourdon (torneiro), Matthieu Verneuil, Jean do Bourdel, André
La Fon (alfaiate), Nicolas Denis,
Jean Gardien (retratista), Martin
David, Nicolas Raviquet, Nícolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean Lery
(este último historiador da viagem). Além desses calvinistas devemos lembrar
que, na verdade, a maioria era composta de católicos romanos. A comitiva havia
partido de Genebra a 16 de setembro de 1556, passando por Paris onde outras
pessoas aderiram a expedição - entre eles Jacques
Le Balleur, que seria um dos protomártires da fé evangélica, no continente,
em território dominado pelos portugueses. No dia 19 de novembro de 1556 três
navios deixaram o mar da Normandia em direção ao Brasil, trazendo 290
passageiros - sendo que apenas 16 deles eram calvinistas.
Esses pastores, como os leigos
nomeados, chegaram ao Forte Coligny
a 10 de março de 1557, recebidos por Villegaignon, a quem apresentaram suas
credenciais assinadas por João Calvino
- regressando meses depois, a Europa, sob ameaças do tirano. Villegaignon logo
passara a questionar princípios de fé do ministro Pierre Richier - ex-frade carmelita convertido ao Protestantismo -
e de Guillaume Chartier,
missionários que vieram para pastorear os imigrantes e evangelizar nativos.
Eis como o historiador presbiteriano, Rev. Álvaro Reis - baseado na obra de Jean Lery - descreveu o primeiro culto
protestante, realizado em território brasileiro, naquele mesmo dia:
“...Reunindo-se
todos numa sala que havia no meio da ilha, e depois que Pierre Richier invocou
a presença do Divino Espírito Santo, cantou-se o Salmo Quinto...Após este
cântico, Richier fez um eloqüente sermão tomando por tema o Salmo 27, versículo
4, segundo a excelente tradução do ex-Padre Sanctos Saraiva: “Uma coisa tenho
pedido a JEHOVAH a qual eu buscarei; que assista eu na casa de JEHOVAH, todos
os dias da minha vida, para de JEHOVAH contemplar o esplendor, e recrear-me em
Seu Templo”. Durante a prédica, Villegaignon não cessava de juntar as mãos,
levantar os olhos para o céu, dar altos suspiros e fazer vários gestos que a
todos causavam admiração”.[1]
Jean
Cointac, um dos membros da
comitiva, acadêmico da Sorbonne, começou a questionar, junto a Villegaignon, a
prática da primeira Igreja Reformada da América, com relação a Ceia do Senhor, celebrada pela primeira
vez no Brasil em 21 de março de 1557. Cedendo aos argumentos de Cointac,
Villegaignon começou impor preceitos
heréticos aos ministros (Uma regressão ao romanismo: transubstanciação,
invocação dos santos, orações pelos mortos, crença no purgatório, sacrifício da
missa, etc.). Os pastores recusavam-se a negar as Escrituras, defendendo-a como
única regra de fé e prática dos
reformados - preceito que perdura entre os evangélicos históricos, até nossos
dias. Tal foi a pressão que os fiéis deixaram a fortaleza e foram para o
continente, em outubro de 1557, convivendo pacificamente com indígenas e
alimentando-se de raízes e frutas. Dois ministros e alguns fiéis, ameaçados por
vilegagnon, regressaram a Europa em condições precárias. Cinco deles resolveram
ficar, por falta de víveres suficientes no navio que regressava. Voltaram a
Ilha de Coligny, sob a promessa de bom tratamento, depois de quase naufragarem
no barco que os levava de volta ao litoral .
Planejando matar os calvinistas que
ficaram - aos quais logo começou a maltratar - Villegaignon exigiu que
escrevessem uma confissão de fé - que usaria como argumento junto à Corte
francesa2 . Jean
du Bourdel, redigiu-a baseado unicamente na Bíblia e sua memória3 . Foi assinada também por Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la
Fon - todos leigos. Erasmo Braga, o tradutor do documento, para o
Português, apreciou-a: “Definições concisas, admirável e profunda. A
mentalidade de du Bourdel era, por certo, de um poder admirável, para produzir,
em circunstâncias de tanto sofrimento, respostas precisas e profundamente
teológicas. É uma confissão calvinista; é a confissão dos nossos maiores:
responde particularmente às heresias de Roma - é a primeira confissão redigida
na América, na primeira Igreja do Brasil. E foi selada com sangue”.
Ao lê-la
o almirante Villegaignon declarou “heréticos
e pestíferos” vários de seus artigos. Ameaçou seus signatários de morte
imediata, se obstinassem em sustentá-la. Diante da irredutível firmeza,
Villegaignon ordenou ao carrasco que algemasse os braços e mãos de Jean du Bourdel, conduzindo-o a uma
rocha, junto ao mar. Ao passar pela prisão, onde estavam seus irmãos em Cristo,
clamou para que mantivessem a coragem e o testemunho. Caminhou para a morte
entoando louvores a Deus. Já sobre o recife, dobrou os joelhos, confessou e
entregou a Deus o seu espírito - sendo, em seguida, bruscamente atirado ao mar,
pelo carrasco - constantemente ameaçado pela impaciência do almirante. Em
seguida arrastaram Matthieu Verneuil.
Antes de ser lançado ao mar clamou: “Senhor Jesus, tem piedade de mim”. André La-Fon, por falta de fé, renegou
a confissão e foi poupado da morte. Em seguida foi executado Pierre Bourdon - depois de ter sido
trazido do litoral, onde enfermara. Negou-se abjurar e foi sufocado,
estrangulado, e lançado ao mar, da mesma forma que fizeram com os outros dois
protomártires. O quinto huguenote3, Jacques le Balleur - conforme o
historiador Rocha Pombo (História do
Brasil, vol III, pág 514), seria enforcado no Rio de Janeiro em 1567, em cuja
execução o jesuíta José de Anchieta teria participado
ativamente, como carrasco.
Rocha Pombo não inventou essa história.
Ele baseou-se na obra “História do Brasil, 1500 a 1627, de Frei Vicente do Salvador. Podemos ler,
na primorosa edição da Melhoramentos, na edição Comemorativa do 4º Centenário
do autor:
“Entre os primeiros franceses que vieram ao Rio de Janeiro em companhia de Nicolau Villaganhon, de que tratamos no capitulo oitavo deste livro, vinha um herege calvinista chamado João Bouller, o qual fugiu pêra a capitania de São Vicente, onde os portugueses o receberam cuidando ser católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ser ele também eloqüente e universal na língua espanhola, latina, grega, e saber alguns princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da Sagrada Escritura(...)”.
“Entre os primeiros franceses que vieram ao Rio de Janeiro em companhia de Nicolau Villaganhon, de que tratamos no capitulo oitavo deste livro, vinha um herege calvinista chamado João Bouller, o qual fugiu pêra a capitania de São Vicente, onde os portugueses o receberam cuidando ser católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ser ele também eloqüente e universal na língua espanhola, latina, grega, e saber alguns princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da Sagrada Escritura(...)”.
Veja o relato escrito por um historiador católico, sacerdote submisso a Roma, incriminando com toda clareza ao hoje canonizado santo, José de Anchieta:
“Achou-se
ali pêra a ajudar a bem morrer o padre Joseph de Anchieta, que já então era
sacerdote, e o tinha ordenado o mesmo bispo D. Pedro Leitão e, posto que no
princípio o achou rebelde, não premitiu a divina providência que se perdesse
aquela ovelha fora do rebanho da igreja, senão que o padre com suas eficazes
razões, e principalmente com a eficácia da graça o reduzisse a ela. Ficou o
padre tão contente deste ganho, e por conseguinte tão receoso de o tornar a
perder que, vendo ser o algoz pouco destro em seu ofício e que se detinha em
dar a morte ao réu e com isso o angustiava e o punha em perigo de renegar a
verdade que já tinha confessada, repreendeu o algoz e o industriou para que
fizesse com presteza seu ofício, escolhendo antes pôr-se a si mesmo em perigo
de incorrer nas penas eclesiásticas, de que logo se absolveria, que arriscar-se
aquela alma às penas eternas. Como são estes que desculpa a divina dispensação
e a caridade, que é sobre toda a lei, e, sem isto, mais são pêra admirar que
pêra imitar”.
Da mesma
forma que o escritor, Frei Vicente do Salvador, incrimina o beato, ora
canonizado “santo”, registra o fato de que José de Anchieta , diante da dúvida
do carrasco, tenta justificar Anchieta do ato criminoso de condenar um
inocente à morte.
Conforme
o Rev. Álvaro Reis - em sua
refutação a historiadores como Cândido Mendes de Almeida, Carlos de Laet e
Capistrano de Abreu - o ministro huguenote Jacques
le Balleur - fugindo de Villegaignon numa canoa de índios tamoios - foi
preso pelo padre Luiz da Grã em
1559, em São Vicente, por estar a evangelizar seus habitantes. Analisando
documentos oficiais de jesuítas do século XVI e XVII o historiador
presbiteriano afirma que le Balleur
foi detido e depois enviado à Bahia, sendo torturado, posto a ferros e preso em
uma masmorra. Em sua tese, Álvaro Reis transcreve um trecho da “História do Brasil” de Frei Vicente Salvador, de 1627,
conforme original da Biblioteca Nacional:
“Entre os
primeiros franceses, que vieram ao Rio de Janeiro, em companhia de Niccolau
Villegaignon, vinha um herege calvinista chamado João Bouller[2], o qual fugiu
para a Capitania de S. Vicente, onde os portugueses o receberam, cuidando ser
católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ser também na sua
eloqüente, e universal na língua espanhola, latina, grega, e saber alguns
princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da Escritura Sagrada, com os
quais entendidos a seu modo dourava as pílulas e encobria o veneno aos que o
ouviam e vinham morder algumas vezes na autoridade do Sumo Pontífice, no uso
dos Sacramentos, no valor das Indulgencias e na veneração das Imagens. Contudo
não faltou quem o conhecesse (que ao lume da Fé nada se esconde), e o foram
denunciar ao bispo, o qual o condenou como seus erros mereciam, e sua
obstinação que nunca quis retratar-se; pelo que o remeteu ao governador, o qual
o mandou à vista de outros, que tinham cativos na última vitória, morresse às
mãos de um algoz. Achou-se ali para o ajudar a bem morrer o Padre Joseph de
Anchieta, que já era então Sacerdote, e o tinha ordenado o mesmo Bispo D. Pedro
Leitão, e posto que no principio o achou rebelde não permitiu a Divina
Providencia que se perdesse aquela ovelha fora do rebanho da Igreja, senão que
o Padre com suas eficazes razões e principalmente com a eficácia da graça o
reduzisse a ela, ficou o Padre tão contente desse ganho, e por conseguinte tão
receoso de o tornar a perder, que vendo ser o algoz pouco dextro em seu ofício, e que se detinha em dar a morte ao
réu, e com isso o angustiava, e o punha em perigo de renegar a verdade, que já
tinha confessado, repreendeu o algoz, e o industriou para que fizesse com
presteza seu oficio, escolhendo antes por-se a si mesmo em perigo de incorrer
nas penas eclesiásticas, de que logo se absolveria, que arriscar-se aquela alma
às penas eternas. Casos são esses que desculpa a divina dispensação, e a
caridade, que há sobre toda a lei, e sem isto mais são para admirar que para
imitar”.[3]
Segundo Álvaro Reis, Frei Vicente Salvador fora
amigo e discípulo de Joseph de Anchieta,
e não teria nenhum motivo de incriminá-lo de participar, como carrasco
coadjuvante, da execução do mártir calvinista. A afirmação de que Balleur teria
renegado sua fé evangélica é temerária e certamente fraudulenta: mesmo depois
de anos, preso e torturado em uma masmorra, foi devolvido ao Rio de Janeiro,
onde foi supliciado sob as mãos do piedoso
jesuíta.
Villegaignon,
depois de regressar à França, viveu como parasita de alguns fidalgos emorreu desgraçadamente, sem arrepender-se de seus crimes.4
A CONFISSÃO DE FÉ DOS PROTOMÁRTIRES
Publicamos,
abaixo, alguns pontos importantes da primeira Confissão de Fé, escrita no continente americano. Em sua defesa os
protomártires do cristianismo, no Brasil, deixaram-se imolar a 9 de Fevereiro de 1558, pelas mãos do
carrasco de Villegaignon:I. Cremos em um só Deus, imortal e invisível, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: O Pai, o Filho, e o Espírito Santo, que não fazem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai fonte e começo de todo o bem; o Filho eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria, feito sob a Lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos Profetas, sugerindo todas as coisas que foram ditas por Nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem. Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente”.
V. “Cremos no
Santíssimo Sacramento da Ceia....não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam
transformados ou transubstanciados no corpo e sangue d’ele...Vejamos a
interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é o meu corpo”. Tertuliano, no livro quatro contra
Marcion, explica estas palavras assim: “Este
é o signal e a figura do meu corpo”. S.Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: - Este é o meu corpo, quando dava apenas o
signal de seu corpo”.
VI. “Cremos que,
se fosse necessário por água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam
omitido uma coisa de tão grande importância”.
VII. Cremos que o
batismo é Sacramento de penitencia, e como uma entrada na Igreja de Deus, para
sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos
pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente só pela morte de
nosso Senhor Jesus. De mais, a mortificação de nossa carne ai nos é representada e a lavagem, representada
pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor
Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. ... Quanto aos
exorcismos, abjurações de satan, crisma, saliva e sal, nos os registramos como
tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por
nosso Senhor Jesus”.
X. ...”Quanto ao homem cristão, batizado no
sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus
Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas
obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em
seu poder, mas vem de Deus”...
XI. ...como
diz Santo Ambrosio, o homem é apenas o
ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus
que ele anuncia. Santo Agostinho neste lugar diz que não é pelo mérito dos
homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Espírito Santo. Porque
o Senhor dissera a seus apóstolos: “Recebei
o Santo Espírito”; depois acrescenta: “Se
perdoardes a algum, seus pecados”, etc. Cypriano diz que o servidor não
pode perdoar a ofensa contra o Senhor”.
XII. “Quanto à imposição de mãos, essa serviu em seu
tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das
mãos não se pode dar o Santo Espírito, porque isto só a Deus pertence”.
XV. “Não é lícito votar a Deus, senão o que Ele
aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do
verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem
fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a Santa Escritura nos
ensina que a continência é um dom especial... Por isso, pois, os monges, padres
e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade tentam contra Deus,
por isso não está neles cumprir o que prometem”...
XVI. “Cremos que Jesus Cristo é o nosso único
Mediador, Intercessor e Advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que,
justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados
teremos plena vitória contra a morte”...
XVII. “Quanto aos mortos, São Paulo (1 Ts VI) nos proíbe
entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não tem esperança
alguma de ressuscitar. O Apostolo não manda e nem ensina orar por eles, o que
não teria esquecido, se fosse conveniente. Santo Agostinho, sobre o Salmos
XLVIII, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante
a vida; que, se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos. Esta
é a resposta que damos aos artigos por nós enviados, segundo a medida e porção
da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja
morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer
e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja”.
José Julio de Azevedo
Jornalista e pesquisador de História da Igreja Cristã no
Brasil;
Março/Abril,2000/3.2014
2.
Na França, sob o
reinado de Francisco II, a crescente intolerância e perseguição aos cristãos
reformados culminou com o Massacre de São Bartolomeu, em 1572,
quando cerca de seis mil huguenotes foram martirizados em Paris -
cerca de 60 mil outros calvinistas em toda a
França. O Atlas da História do Mundo
informa: “Em 1562 havia mais de um milhão
de protestantes, na França. A pressão militar católica, aliada à hostilidade
popular praticamente erradicou o protestantismo ao norte do rio Loire” . 3. Huguenote é uma designação depreciativa que os católicos franceses deram aos protestantes, especialmente aos calvinistas, e que estes adotaram (Cf. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Nova Fronteira-RJ, 1986.)
Bibliografia:
1. SALVADOR, Frei Vicente do. Obra: História do Brasil –
1500-1627. Edições Melhoramentos. São Paulo, 1965 (Edição
comemorativa do 4º Centenário do Autor) – Páginas 190-191.
2.
Jean Crespin, na sua obra- Histoire
des Martyres, tomo II. - citado por Domingos Ribeiro- Rio,
Agosto - 1917, no prefácio de sua tradução de “A Tragédia da Baia da Guanabara” - com grafia original. A Tragédia de Guanabara ou Historia dos Protomartyres do Christianismo
no Brasil. Rio de Janeiro: Typo-Lith, Pimenta de Mello & C 1917.
3.
BOURDEL, Jean du. Confissão de Fé - escrita por Du Bourdel entre 04.01.1558 e 09.02.1558,
no litoral brasileiro, Baia da Guanabara. Tradução de Erasmo Braga.
4. REIS,
Álvaro. O Martyr Le Balleur -
1567 - Refutação a monografia do Dr.
Cândido Mendes de Almeida sobre a
catástrofe de Bolles, publicada no Vol. 42 da Revista do Instituto
Histórico e Geográfico do Brasil, em artigos do Puritano, em 1907, e aos
artigos dos Drs. Carlos de Laet e Capistrano de Abreu. Rio de Janeiro:
1917.
5. HAHN, Carl Joseph. História do Culto Protestante no
Brasil. ASTE, São Paulo: 1986.
6. BARRACLOUGH, Geofrey
(Editor). Atlas da
História do Mundo. Empresa Folha da Manhã, São Paulo: 1995.



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