3 de abril de 2014

JOSE DE ANCHIETA, CARRASCO DE UM CALVINISTA FRANCÊS?


José de Anchieta, Villegaignon e os Calvinistas
no Rio de Janeiro, no século XVI
 Não se tratou de um conflito político, de disputa territorial entre Holanda e Portugal - como ocorreu no Nordeste, provocando vítimas dos dois lados. A saga dos protomártires1 cristãos, no Brasil, teve seu palco a milhares de quilômetros ao sul do Rio Grande do Norte - terra dos 30 beatificados, em 5.3.2000, pelo papa João Paulo II - e ficou conhecida, na História, como A Tragédia da Guanabara.  Durante séculos houve a tentativa de canonizar santo um dos pioneiros da evangelização católica no Brasil, José de Anchieta - até hoje ele era considerado apenas um beato. Talvez com a chegada de um franciscano ao papao é que  José de Anchieta fosse entronizado no panteão da devoção católica, levado á categoria de santo. Porém há uma mancha indelével na história desse sacerdote, documentada por um de seus pares, o Frei Vicente do Salvador, em sua HISTORIA DO BRASIL. Veja a história:
 
 
José de Anchieta
 
No dia 9 de fevereiro de 1558 três calvinistas sofreram batismo de sangue na Ilha de Coligny, hoje Fortaleza de Villegaignon, na Baia de Guanabara-RJ. Ficou claramente documentado que eles foram sacrificados por causa da irredutível defesa da fé cristã, e bíblica - da mesma forma que reformadores como o mártir João Huss, entre outros. Testemunharam sua fé porque amaram mais a verdade revelada nas Escrituras Sagradas do que a suas próprias vidas.
 O almirante Nicolas de Villegaignon, depois de conquistar a confiança de cristãos reformados, da França, reuniu um grupo de cidadãos desejosos de uma nova vida, em terras recém-descobertas, como colonos. Uma expedição partiu do Havre, em 15 de julho de 1555, em dois navios fornecidos por  Henrique II - para tal empresa seu idealizador teve o apoio do almirante calvinista Gaspar de Coligny que, inocente, intercedeu ao rei por essa causa. Mais tarde Villegaignon iria mostrar sua verdadeira face - ganhando a alcunha de “o Caim da América”.

Já no litoral brasileiro, onde a expedição chegou aos 10.11.1555, Villegaignon passou a usar os colonos como servos, em condições cada vez mais degradantes. Depois de enfrentar uma rebelião, da qual não houve participação de calvinistas, Villegaignon solicitou ministros evangélicos de Genebra - capital calvinista da Suíça - que vieram acompanhados de um grupo de huguenotes leigos, liderados por Felipe de Corguillerai - senhor Du Pont - amigo de Coligny. Os acompanharam, atraídos pelas falsas promessas de Villegaignon, os calvinistas leigos: Pierre Bourdon (torneiro), Matthieu Verneuil, Jean do Bourdel, André La Fon (alfaiate), Nicolas Denis, Jean Gardien (retratista), Martin David, Nicolas Raviquet, Nícolas Carmeau, Jacques Rousseau e Jean Lery (este último historiador da viagem). Além desses calvinistas devemos lembrar que, na verdade, a maioria era composta de católicos romanos. A comitiva havia partido de Genebra a 16 de setembro de 1556, passando por Paris onde outras pessoas aderiram a expedição - entre eles Jacques Le Balleur, que seria um dos protomártires da fé evangélica, no continente, em território dominado pelos portugueses. No dia 19 de novembro de 1556 três navios deixaram o mar da Normandia em direção ao Brasil, trazendo 290 passageiros - sendo que apenas 16 deles eram calvinistas.

Esses pastores, como os leigos nomeados, chegaram ao Forte Coligny a 10 de março de 1557, recebidos por Villegaignon, a quem apresentaram suas credenciais assinadas por João Calvino - regressando meses depois, a Europa, sob ameaças do tirano. Villegaignon logo passara a questionar princípios de fé do ministro Pierre Richier - ex-frade carmelita convertido ao Protestantismo - e de Guillaume Chartier, missionários que vieram para pastorear os imigrantes e evangelizar nativos.

Eis como o historiador presbiteriano, Rev. Álvaro Reis - baseado na obra de Jean Lery - descreveu o primeiro culto protestante, realizado em território brasileiro, naquele mesmo dia:

 “...Reunindo-se todos numa sala que havia no meio da ilha, e depois que Pierre Richier invocou a presença do Divino Espírito Santo, cantou-se o Salmo Quinto...Após este cântico, Richier fez um eloqüente sermão tomando por tema o Salmo 27, versículo 4, segundo a excelente tradução do ex-Padre Sanctos Saraiva: “Uma coisa tenho pedido a JEHOVAH a qual eu buscarei; que assista eu na casa de JEHOVAH, todos os dias da minha vida, para de JEHOVAH contemplar o esplendor, e recrear-me em Seu Templo”. Durante a prédica, Villegaignon não cessava de juntar as mãos, levantar os olhos para o céu, dar altos suspiros e fazer vários gestos que a todos causavam admiração”.[1]

Jean Cointac, um dos membros da comitiva, acadêmico da Sorbonne, começou a questionar, junto a Villegaignon, a prática da primeira Igreja Reformada da América, com relação a Ceia do Senhor, celebrada pela primeira vez no Brasil em 21 de março de 1557. Cedendo aos argumentos de Cointac, Villegaignon começou  impor preceitos heréticos aos ministros (Uma regressão ao romanismo: transubstanciação, invocação dos santos, orações pelos mortos, crença no purgatório, sacrifício da missa, etc.). Os pastores recusavam-se a negar as Escrituras, defendendo-a como única regra de fé e prática dos reformados - preceito que perdura entre os evangélicos históricos, até nossos dias. Tal foi a pressão que os fiéis deixaram a fortaleza e foram para o continente, em outubro de 1557, convivendo pacificamente com indígenas e alimentando-se de raízes e frutas. Dois ministros e alguns fiéis, ameaçados por vilegagnon, regressaram a Europa em condições precárias. Cinco deles resolveram ficar, por falta de víveres suficientes no navio que regressava. Voltaram a Ilha de Coligny, sob a promessa de bom tratamento, depois de quase naufragarem no barco que os levava de volta ao litoral .
 
         OS PROTOMARTIRES

Planejando matar os calvinistas que ficaram - aos quais logo começou a maltratar - Villegaignon exigiu que escrevessem uma confissão de fé - que usaria como argumento junto à Corte francesa2 . Jean du Bourdel, redigiu-a baseado unicamente na Bíblia e sua memória3 . Foi assinada também por Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon - todos leigos. Erasmo Braga, o tradutor do documento, para o Português, apreciou-a: “Definições concisas, admirável e profunda. A mentalidade de du Bourdel era, por certo, de um poder admirável, para produzir, em circunstâncias de tanto sofrimento, respostas precisas e profundamente teológicas. É uma confissão calvinista; é a confissão dos nossos maiores: responde particularmente às heresias de Roma - é a primeira confissão redigida na América, na primeira Igreja do Brasil. E foi selada com sangue”.

              Ao lê-la o almirante Villegaignon declarou “heréticos e pestíferos” vários de seus artigos. Ameaçou seus signatários de morte imediata, se obstinassem em sustentá-la. Diante da irredutível firmeza, Villegaignon ordenou ao carrasco que algemasse os braços e mãos de Jean du Bourdel, conduzindo-o a uma rocha, junto ao mar. Ao passar pela prisão, onde estavam seus irmãos em Cristo, clamou para que mantivessem a coragem e o testemunho. Caminhou para a morte entoando louvores a Deus. Já sobre o recife, dobrou os joelhos, confessou e entregou a Deus o seu espírito - sendo, em seguida, bruscamente atirado ao mar, pelo carrasco - constantemente ameaçado pela impaciência do almirante. Em seguida arrastaram Matthieu Verneuil. Antes de ser lançado ao mar clamou: “Senhor Jesus, tem piedade de mim”. André La-Fon, por falta de fé, renegou a confissão e foi poupado da morte. Em seguida foi executado Pierre Bourdon - depois de ter sido trazido do litoral, onde enfermara. Negou-se abjurar e foi sufocado, estrangulado, e lançado ao mar, da mesma forma que fizeram com os outros dois protomártires. O quinto huguenote3, Jacques le Balleur - conforme o historiador Rocha Pombo (História do Brasil, vol III, pág 514), seria enforcado no Rio de Janeiro em 1567, em cuja execução o jesuíta José de Anchieta teria participado ativamente, como carrasco.

         Rocha Pombo não inventou essa história. Ele baseou-se na obra “História do Brasil, 1500 a 1627, de Frei Vicente do Salvador. Podemos ler, na primorosa edição da Melhoramentos, na edição Comemorativa do 4º Centenário do autor:
              Entre os primeiros franceses que vieram ao Rio de Janeiro em companhia de Nicolau Villaganhon, de que tratamos no capitulo oitavo deste livro, vinha um herege calvinista chamado João Bouller, o qual fugiu pêra a capitania de São Vicente, onde os portugueses o receberam cuidando ser católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ser ele também eloqüente e universal na língua espanhola, latina, grega, e saber alguns princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da Sagrada Escritura(...)”.
 
 Frei Vicente
 
              Conta em seu livro Frei Vicente que João Bouller foi denunciado ao bispo. Mesmo sob muita pressão o calvinista negou-se a renunciar sua fé, “sua obstinação” da qual “nunca quis retratar-se”. O bispo enviou-o ao governador, que o condenou à morte, nas “mãos de algum algoz”.
              Veja o relato escrito por um historiador católico, sacerdote submisso a Roma, incriminando com toda clareza ao hoje canonizado santo, José de Anchieta:

              Achou-se ali pêra a ajudar a bem morrer o padre Joseph de Anchieta, que já então era sacerdote, e o tinha ordenado o mesmo bispo D. Pedro Leitão e, posto que no princípio o achou rebelde, não premitiu a divina providência que se perdesse aquela ovelha fora do rebanho da igreja, senão que o padre com suas eficazes razões, e principalmente com a eficácia da graça o reduzisse a ela. Ficou o padre tão contente deste ganho, e por conseguinte tão receoso de o tornar a perder que, vendo ser o algoz pouco destro em seu ofício e que se detinha em dar a morte ao réu e com isso o angustiava e o punha em perigo de renegar a verdade que já tinha confessada, repreendeu o algoz e o industriou para que fizesse com presteza seu ofício, escolhendo antes pôr-se a si mesmo em perigo de incorrer nas penas eclesiásticas, de que logo se absolveria, que arriscar-se aquela alma às penas eternas. Como são estes que desculpa a divina dispensação e a caridade, que é sobre toda a lei, e, sem isto, mais são pêra admirar que pêra imitar”.

              Da mesma forma que o escritor, Frei Vicente do Salvador, incrimina o beato, ora canonizado “santo”, registra o fato de que José de Anchieta , diante da dúvida do carrasco, tenta justificar Anchieta do ato criminoso de condenar um inocente  à morte.

                        Conforme o Rev. Álvaro Reis - em sua refutação a historiadores como Cândido Mendes de Almeida, Carlos de Laet e Capistrano de Abreu - o ministro huguenote Jacques le Balleur - fugindo de Villegaignon numa canoa de índios tamoios - foi preso pelo padre Luiz da Grã em 1559, em São Vicente, por estar a evangelizar seus habitantes. Analisando documentos oficiais de jesuítas do século XVI e XVII o historiador presbiteriano afirma que le Balleur foi detido e depois enviado à Bahia, sendo torturado, posto a ferros e preso em uma masmorra. Em sua tese, Álvaro Reis transcreve um trecho da “História do Brasil” de Frei Vicente Salvador, de 1627, conforme original da Biblioteca Nacional:

Entre os primeiros franceses, que vieram ao Rio de Janeiro, em companhia de Niccolau Villegaignon, vinha um herege calvinista chamado João Bouller[2], o qual fugiu para a Capitania de S. Vicente, onde os portugueses o receberam, cuidando ser católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ser também na sua eloqüente, e universal na língua espanhola, latina, grega, e saber alguns princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da Escritura Sagrada, com os quais entendidos a seu modo dourava as pílulas e encobria o veneno aos que o ouviam e vinham morder algumas vezes na autoridade do Sumo Pontífice, no uso dos Sacramentos, no valor das Indulgencias e na veneração das Imagens. Contudo não faltou quem o conhecesse (que ao lume da Fé nada se esconde), e o foram denunciar ao bispo, o qual o condenou como seus erros mereciam, e sua obstinação que nunca quis retratar-se; pelo que o remeteu ao governador, o qual o mandou à vista de outros, que tinham cativos na última vitória, morresse às mãos de um algoz. Achou-se ali para o ajudar a bem morrer o Padre Joseph de Anchieta, que já era então Sacerdote, e o tinha ordenado o mesmo Bispo D. Pedro Leitão, e posto que no principio o achou rebelde não permitiu a Divina Providencia que se perdesse aquela ovelha fora do rebanho da Igreja, senão que o Padre com suas eficazes razões e principalmente com a eficácia da graça o reduzisse a ela, ficou o Padre tão contente desse ganho, e por conseguinte tão receoso de o tornar a perder, que vendo ser o algoz  pouco dextro em seu ofício, e que se detinha em dar a morte ao réu, e com isso o angustiava, e o punha em perigo de renegar a verdade, que já tinha confessado, repreendeu o algoz, e o industriou para que fizesse com presteza seu oficio, escolhendo antes por-se a si mesmo em perigo de incorrer nas penas eclesiásticas, de que logo se absolveria, que arriscar-se aquela alma às penas eternas. Casos são esses que desculpa a divina dispensação, e a caridade, que há sobre toda a lei, e sem isto mais são para admirar que para imitar”.[3] 

              Segundo Álvaro Reis, Frei Vicente Salvador fora amigo e discípulo de Joseph de Anchieta, e não teria nenhum motivo de incriminá-lo de participar, como carrasco coadjuvante, da execução do mártir calvinista. A afirmação de que Balleur teria renegado sua fé evangélica é temerária e certamente fraudulenta: mesmo depois de anos, preso e torturado em uma masmorra, foi devolvido ao Rio de Janeiro, onde foi supliciado sob as mãos do piedoso jesuíta.
              Villegaignon, depois de regressar à França, viveu como parasita de alguns fidalgos e

morreu desgraçadamente, sem arrepender-se de seus crimes.4
 
A CONFISSÃO DE FÉ DOS PROTOMÁRTIRES
              Publicamos, abaixo, alguns pontos importantes da primeira Confissão de Fé, escrita no continente americano. Em sua defesa os protomártires do cristianismo, no Brasil, deixaram-se imolar a 9 de Fevereiro de 1558, pelas mãos do carrasco de Villegaignon:

I. Cremos em um só Deus, imortal e invisível, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: O Pai, o Filho, e o Espírito Santo, que não fazem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai fonte e começo de todo o bem; o Filho eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Espírito Santo, nascido da Virgem Maria, feito sob a Lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos Profetas, sugerindo todas as coisas que foram ditas por Nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem. Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente”.

V. “Cremos no Santíssimo Sacramento da Ceia....não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no corpo e sangue d’ele...Vejamos a interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é o meu corpo”. Tertuliano, no livro quatro contra Marcion, explica estas palavras assim: “Este é o signal e a figura do meu corpo”. S.Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: - Este é o meu corpo, quando dava apenas o signal de seu corpo”.

 VI. “Cremos que, se fosse necessário por água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam omitido uma coisa de tão grande importância”.

VII. Cremos que o batismo é Sacramento de penitencia, e como uma entrada na Igreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente só pela morte de nosso Senhor Jesus. De mais, a mortificação de nossa carne ai  nos é representada e a lavagem, representada pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. ... Quanto aos exorcismos, abjurações de satan, crisma, saliva e sal, nos os registramos como tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus”.

 X. ...”Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus”...
 
XI. ...como diz  Santo Ambrosio, o homem é apenas o ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus que ele anuncia. Santo Agostinho neste lugar diz que não é pelo mérito dos homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Espírito Santo. Porque o Senhor dissera a seus apóstolos: “Recebei o Santo Espírito”; depois acrescenta: “Se perdoardes a algum, seus pecados”, etc. Cypriano diz que o servidor não pode perdoar a ofensa contra o Senhor”.

 XII. “Quanto  à imposição de mãos, essa serviu em seu tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espírito, porque isto só a Deus pertence”.

 XV. “Não é lícito votar a Deus, senão o que Ele aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a Santa Escritura nos ensina que a continência é um dom especial... Por isso, pois, os monges, padres e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade tentam contra Deus, por isso não está neles cumprir o que prometem”...
 
XVI. “Cremos que Jesus Cristo é o nosso único Mediador, Intercessor e Advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados teremos plena vitória contra a morte”...

XVII. “Quanto aos mortos, São Paulo (1 Ts VI) nos proíbe entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não tem esperança alguma de ressuscitar. O Apostolo não manda e nem ensina orar por eles, o que não teria esquecido, se fosse conveniente. Santo Agostinho, sobre o Salmos XLVIII, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida; que, se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos. Esta é a resposta que damos aos artigos por nós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja”.

 José Julio de Azevedo
Jornalista e pesquisador de História da Igreja Cristã no Brasil; 
Março/Abril,2000/3.2014

 
1.   1. Protomártires, ou seja, os primeiros mártires, entre os de uma religião ou de um ideal político. A  nível universal, quanto ao cristianismo, a designação cabe a Estevão (Atos 6:5-7-59)

2.   Na França, sob o reinado de Francisco II, a crescente intolerância e perseguição aos cristãos reformados culminou com o Massacre de São Bartolomeu, em 1572, quando cerca de seis mil huguenotes foram martirizados em Paris -
cerca de 60 mil outros calvinistas em toda a França.  O Atlas da História do Mundo informa: “Em 1562 havia mais de um milhão de protestantes, na França. A pressão militar católica, aliada à hostilidade popular praticamente erradicou o protestantismo ao norte do rio Loire” .
3.   Huguenote é uma designação depreciativa que os católicos franceses deram aos protestantes, especialmente aos calvinistas, e que estes adotaram (Cf. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Nova Fronteira-RJ, 1986.)

 Bibliografia:

1.     SALVADOR, Frei Vicente do. Obra:  História do Brasil – 1500-1627. Edições Melhoramentos. São Paulo, 1965 (Edição comemorativa do 4º Centenário do Autor) – Páginas  190-191.

2.     Jean Crespin, na sua obra- Histoire des Martyres, tomo II. - citado por Domingos Ribeiro-  Rio, Agosto - 1917, no prefácio de sua tradução de “A Tragédia da Baia da Guanabara” - com grafia original. A Tragédia de Guanabara ou Historia dos Protomartyres do Christianismo no Brasil. Rio de Janeiro: Typo-Lith, Pimenta de Mello & C 1917.

3.     BOURDEL, Jean du. Confissão de Fé - escrita por Du Bourdel entre 04.01.1558 e 09.02.1558, no litoral brasileiro, Baia da Guanabara. Tradução de Erasmo Braga.

4.  REIS, Álvaro. O Martyr Le Balleur - 1567 - Refutação a monografia do Dr. Cândido Mendes de Almeida sobre a    catástrofe de Bolles, publicada no Vol. 42 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, em artigos do Puritano, em 1907, e aos artigos dos Drs. Carlos de Laet e Capistrano de Abreu. Rio de Janeiro: 1917.

5.  HAHN, Carl Joseph. História do Culto Protestante no Brasil. ASTE, São Paulo: 1986.

6. BARRACLOUGH, Geofrey (Editor). Atlas da História do Mundo. Empresa Folha da Manhã,   São Paulo: 1995.



[1] REIS, Álvaro. O Martyr Le Balleur - 1567. Rio de Janeiro: 1917. Pág. 260.
[2] Trata-se de um erro de grafia. Álvaro Reis provou, exaustivamente, tratar-se, na verdade, de Jacques le Balleur.
[3] REIS, Álvaro. Op. Cit. - Pág. 19-20.

Nenhum comentário:

Postar um comentário