A Biodiversidade e a
mentalidade Rasteira
Em nosso
vasto Brasil viceja uma mentalidade rasteira, simplista, porém perniciosa e
empobrecedora. Desde a sua descoberta essa mentalidade truculenta avançou sobre
o País das Nações Indígenas. As terras foram sendo ocupadas graças ao conluio
de políticos, militares e grileiros – isso depois das famosas entradas &
bandeiras, na era do extermínio ou escravidão e deportação de índios, o saque
do ouro, diamantes e terras. O binômio
“almas para o papa e terras para a coroa” ganhou novos contornos com o advento
da República.
Ao contrário das novelas da tevê, com suas aberrações urbanas, seu enredo e sua trilha
sonora continuam a avançar sobre os últimos territórios a serem devastados por
um tipo de civilização fundada no atraso espiritual, no desprezo ao ser humano
em sua dignidade como ser “criado à imagem e semelhança de Deus” e na
depredação do patrimônio natural cujos benefícios vão além das fronteiras do
País – pois a terra é uma só e o todo interage e influencia cada uma das
partes, e vice-versa. É fundamental que o Brasil avance na mudança da
mentalidade rasteira, assumindo um paradigma firmado nos direitos humanos e nos
avanços da ciência, no respeito ao próximo em seu valor superlativo e inegociável – como exemplo de uma gestão fundamentada na vida em sua maravilhosa diversidade.
A mentalidade do tipo de capitalismo guiada pela mentalidade
rasteira é simplista, nefasta e cultiva suas estratégias há séculos, com a
mesma eficiência que fez calar idiomas, destruir florestas e o DNA da vida que
pulsa generosa, como cantou o poeta ao afirmar que “nossos bosques têm mais
vida e nossa vida no teu seio mais amores”.
Há milênios os chamados vencedores utilizam-se do poder das
armas, argumentos jurídicos tenenciosos e o anfiteatro legislativo para impor essa
mentalidade rasteira e irresponsável sobre a vida de gente e bicho. São
simplistas, adeptos da teoria facista da sobrevivência dos mais fortes, e simplórios nessa mentalidade da força bruta. Buscam transformar
tudo em dinheiro virtual – fechando os olhos para a convivência inteligente do
ser humano com o meio ambiente. Porém os que querem enriquecer de forma rápida
e garantir lucros à custa da destruição do solo e da biodiversidade – de onde
vem a contaminação da água, o desequilíbrio climático e o extermínio de
espécies – buscam na ignorância e na cobiça parlamentar forjar leis que
garantam o avanço dessa mentalidade rasteira, lesa humanidade, além do Serrado
e da Floresta Atlântica, quase totalmente destruídos.
Suas estratégias de desocupação não são evidentes como no
projetado extermínio de judeus, pelos nazistas – porém perseverantes, levando
gente livre, vivendo sob as bênçãos da natureza e em relativa harmonia com as
outras espécies, ao exílio em favelas urbanas – minando uma convivência que deu certo, através de
milênios, antes da mentalidade rasteira. Essa mentalidade domina também sociedades
nominalmente ‘socialistas’ que legalizaram o autoritarismo e impõem regime de
servidão a seus cidadãos e, dessa forma, competindo com vantagem imoral sobre
democracias, levando a sucatização da indústria brasileira – frente a qual o
governo age de forma passiva, para não dizer cúmplice, e, por isso, constrangido
a submeter-se a um modelo pernicioso que parece crescer ameaçando a
estabilidade dos regimes democráticos do ocidente.
Durante séculos o Brasil foi sendo devorado pelo esquema
cartorário e fraudulento – sob a cumplicidade dos poderes e seus personagens:
os grileiros de terras, os que utilizavam artifícios de projetos de construção
de estradas de ferro e rodovias – com direito a utilizarem quilômetros de cada
margem da mesma – que geralmente não era construída e, no entanto, terra ficava
com os autores desses projetos e seus sócios, de mentalidade rasteira. Essa
prática possivelmente continua a ser utilizada no avanço da franja, onde convive
com o medieval e com o capitalismo comunista em seu sonho de um mundo sem Deus
e sem liberdade, sem direitos a não ser o dos adeptos de carteirinha do partido.
Outra
estratégia está ligada a manutenção do sistema de produção da energia elétrica.
No país do Sol investe-se bilhões de dólares para avançar sobre rios e
florestas sob o argumento do blak-out iminente. As cidades precisam ser
iluminadas para manter o desvairado mundo do entretenimento: pão e circo, a
velha dupla para ludibriar o empobrecimento da alma. Assim, esquartejam-se
florestas sob o argumento do “progresso”, “divisas”, “exportação”,
“balança comercial”, etc. Dessa
forma os espertalhões daqui unem-se ao olho gordo internacional em sua sanha
devastadora, em busca de riquezas e dominação internacional. Na região onde se
pretende construir novo e fantástico lago – “Belo Monte” - ocorre a devastação de madeiras nobres, que
serão exportadas em toras – para os palácios socialistas da Ásia ou para os
castelos da Europa e, mesmo, para os mega-shoppings americanos Retiram-se,
depois o ouro, o diamante, os minérios exportados a granel – sem significativa
geração de empregos. Os destituidos de seu habitat, como sempre, mão de obra barata e descartável! Paralelamente marcha a vegetação rasteira da soja e outros
transgênicos – fazendo do campo, outrora rico em nutrientes e microrganismos,
uma terra contaminada por venenos – vários dos quais proibidos em seus países
de origem. Isso em aparente benefício de minoria que rói o osso do poder – mesmo à custa da
própria alma - porque a liberdade e o estado de direito, em regimes
aparentemente democráticos, são privilégio de uma minoria, cuja mentalidade –
apesar da altura de seus palácios – é rasteira, apesar de soberba. Os
defensores dessa perpetuação do atraso, em sua política predatória, alegam que
os índios estão querendo terras demais – como se os benefícios da vida selvagem
fossem circunscritos apenas à sua sobrevivência. Não percebem o manancial de riquezas inesgotáveis dos biomas!. Nessa mentalidade, rasteira
como um campo de soja, avançam os subprodutos de outros interessados: os
fabricantes de agrotóxicos que contaminarão os rios e mananciais subterrâneos; os contrabandistas de venenos através de fronteiras mal cuidadas.
Por
outro lado, se junta a projetos hidrelétricos o capital francês, o
interesse japonês, o apetite chinês ao som tupiniquim da ‘internacional
socialista’ – cujo socialismo é rótulo, embalagem de um regime perverso.Porque não buscar alternativas como ocrre nos países escandinavos onde o socialismo é real e não uma mentira mil vezes repetida?
Os
personagens dessa mentalidade rasteira, antes de tudo, são “socialites”
e todos querem figurar em HD no rol da fama.
Há
necessidade de que os cientistas, antropólogos, parlamentares, mestres,
poetas, ambientalistas, teólogos, agricultores que amam a terra que cultivam, e
outros, que almejam um Brasil generoso para seus cidadãos e sustentável para as novas gerações e para o
mundo, se unam sob o incentivo e encorajamento de um governo que honre a Democracia real e prevaleça sobre a mentalidade rasteira.
(Jose J. de Azevedo – 10.2012)
